Anna resgata comida do lixo para combater o desperdício

Há “comida perfeita” a ser deitada fora pelos supermercados todos os dias. Anna Masiello resgata-a e partilha no Instagram. O dumpster diving é só uma das “muitas coisas novas” que Anna quer dizer — e fazer — para resolver o problema do desperdício.

Foto: Vera Moutinho

Sobre a bancada da cozinha, amontoam-se legumes e frutas: 55 bananas, dez tomates, caixas de morangos, de feijão-verde, de alho-francês, de cogumelos, embalagens de salada, de peras, maçãs, quivis, nabos, courgettes, um melão, um limão, uma cebola, um pimento. O suficiente para duas refeições para quatro pessoas, muito doce de fruta, muito bolo e gelado de banana. Tudo pronto para ser cozinhado ao longo do dia. Tudo recolhido nos caixotes do lixo de um único supermercado na noite anterior.

Pouco passava das 22h quando Anna saiu para mais uma noite de dumpster diving. Mochila às costas, luvas, um saco de compras a rolar pela calçada de Lisboa. Ia “mergulhar no lixo”. Não por fome ou desespero. Mas como forma de combater o desperdício alimentar. A ideia é resgatar comida ainda boa para consumo, aproveitá-la e partilhar os resultados nas redes sociais. É expor o que a repulsa pelos sacos negros ajuda a esconder: uma sociedade de consumo que descarta tudo o que desça o limiar do mais-que-perfeito. Porque o que ela encontra, diz, é “comida perfeita”: algumas frutas podem ter pequenas manchas ou pedaços pisados e os legumes uma tonalidade amarelada. “Mas se alguém os tivesse em casa, comia-os. Sem dúvida.”

A poucos metros de distância, um homem varre para o passeio as últimas migalhas do dia, olha curioso. Anna Masiello e uma das colegas de casa, Fran Heiligenberg, 28 anos, estão de volta do primeiro de seis caixotes do lixo, perfeitamente alinhados nas traseiras de um supermercado de uma grande cadeia internacional. Quase já não há trânsito nesta zona das Avenidas Novas. Volta e meia, alguém passa a caminho de casa. Ninguém ignora. Ninguém interpela. “Acho que não esperam que duas raparigas, com um ar normal, vestidas à estudante, estejam a vasculhar o lixo”, diz Anna. “Por isso, espero que parem e se questionem sobre o porquê de estarmos a fazer isto, de estarmos a levar toda esta comida perfeita para casa.”

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