Calçada portuguesa: um chão-poema, uma arte em extinção

Descer uma avenida atentos ao rendilhado de pedras que se pisa pode ser uma descoberta constante. Da história às técnicas, da evolução estilística às marcas deixadas pelos calceteiros. De uma profissão em risco a uma identidade que se tenta preservar.

Foto: Daniel Rocha

Os cubos brancos ordenam-se em fileiras mais ou menos alinhadas até que, ao chegar a cada desenho, feito a negro, a pedra vai-se estilhaçando em múltiplas formas, talhadas a paciência e esmero, para que o chão se transforme num tapete rendilhado ou, neste caso, numa “grega”, cartela inspirada nos frisos da Antiguidade, que desce as laterais do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Daqui, ganha expressão a longitude repetitiva das faixas. Mas basta sentarmo-nos num dos bancos de jardim para que a mudança de perspectiva dê ao desenho “expressões completamente diferentes”, aponta o historiador António Miranda.

É no topo do Parque Eduardo VII que há-de arrancar um dos cinco roteiros que a Associação da Calçada Portuguesa está a desenvolver em parceria com a Associação de Turismo de Lisboa para dar a conhecer alguns dos exemplos mais emblemáticos da “arte e saber-fazer da calçada portuguesa”, candidata, oficialmente desde a semana passada, a Património Imaterial Nacional, primeiro passo para começar a ser trabalhada uma possível candidatura a Património Mundial da UNESCO. E é daqui que parte o nosso passeio de redescoberta de um pavimento que faz parte da identidade da cidade e do país, prosa de tantos amores e ódios.

Este percurso, ao longo do “eixo central”, não será “o mais bonito nem o mais importante” dos cinco, realça António Prôa, secretário-geral da Associação da Calçada Portuguesa. “Mas é o mais emblemático, porque passa por alguns dos pontos onde a calçada apareceu primeiro em Lisboa.” Não será o caso do Parque Eduardo VII, concluído na década de 1940, ou da rotunda da Praça do Marquês de Pombal, refeita após a chegada do metropolitano a esta zona da cidade, mas já aqui se notam algumas das técnicas utilizadas pelos calceteiros e as diferenças entre aquilo que será uma calçada bem ou mal aplicada.

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