Algarvensis: entre a serra e o Barrocal, escondem-se mares e fósseis com milhões de anos

Descemos ao miolo da Terra para descobrir uma mina de sal-gema e subimos à Rocha da Pena para encontrar mares antigos e salamandras gigantes. No aspirante Geoparque Algarvensis contam-se 350 milhões de anos gravados a pedra e fósseis, mas também aldeias dinâmicas e um programa cultural.

Foto: Duarte Drago

Quando se soube que ia haver festa na aldeia, Fábio Padinha decidiu criar o Jornal dos Peneireiros, seis páginas onde a edição inaugural já dá conta da limpeza e arranjos nas ruas da Penina, feitas pela população da aldeia, assim como os falecidos e aniversariantes de Abril, entre poemas e curiosidades. “Há muitas pessoas de idade aqui e como estavam a surgir notícias sobre o GeoPalcos, ele pensou fazer um jornal para ser só entregue aqui na aldeia para pôr os mais velhos a par do que se passa”, vai contando Manoli Ortis de la Torre, espanhola crescida na Bélgica e que há 20 anos mora nesta pequena localidade do concelho de Loulé, aos pés da Rocha da Pena.

No Largo de Nossa Senhora, já se ouve a instalação artística de Vasco Marum Nascimento, mas é preciso encostar bem o ouvido à árvore central. E, no pequeno museu da Rua de Espanha, Maria Alice tem andado a fazer peças de empreita “para não perder a prática”, já que dará um workshop de iniciação à técnica tradicional a quem passar por ali no dia da festa. Há “uns três ou quatro anos”, decidiu recuperar alguns objectos “que se usavam na agricultura” e pô-los aqui, neste corredor de acesso à casa, para mostrar a quem visita a aldeia: o “malhinho” e os alcatruzes da nora, o fogo de chão e o forno de lenha, as peças em cobre e o espaço onde punham “as cabrinhas ou ovelhas quando tinham as crias”.

É Manoli que anda a organizar o “Penina em Festa” com a comunidade da aldeia, o teatro Ao Luar e outros artistas da região. Em 2008, criou com o marido, José João Guerreiro, e um outro casal a Associação Portuguesa de Didgeridoo (o instrumento musical vai soar na festa, claro), e cria roupa, acessórios, quadros e outras peças com tintas naturais, utilizando as plantas “daqui da serra do Caldeirão”.

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