A abertura de uma unidade hoteleira, um projecto de Minecraft e o centenário do nascimento de um arquitecto levaram-nos a descobrir o legado modernista da cidade algarvia, erguido nas décadas de 1950 e 1960. Um roteiro pela sua história e edifícios marcantes.

Marcamos encontro na pastelaria Gardy, casa icónica da Rua de Santo António, principal eixo comercial da Baixa de Faro. Não que seja um exemplo de arquitectura modernista, não é, mas porque era aqui, “nesta ou naquela mesa ali”, que Manuel Gomes da Costa “vinha religiosamente todos os dias” tomar café, recorda o arquitecto Gonçalo Vargas. E se há nome que nos acompanhará ao longo de todo o passeio pela face modernista da capital algarvia é o de Manuel Gomes da Costa, arquitecto que este ano celebraria o 100.º aniversário.
Com uma carreira de meio século e cerca de quatrocentos edifícios construídos, a maioria em Faro, onde o arquitecto natural de Vila Real de Santo António veio estabelecer-se profissionalmente depois de terminado o curso de Arquitectura, Manuel Gomes da Costa (1921-2016) é figura incontornável do Movimento Modernista no Algarve, e na capital de distrito em particular, não só pela obra que deixou como pela influência que exerceu no traço de outros arquitectos, engenheiros e desenhadores técnicos, entre vários actores do sector da construção.
Partimos, então, da Gardy, afamada pelos croissants e doces regionais, em jeito de homenagem à “estrela-guia” deste roteiro, como apelida Ricardo Agarez, um dos três arquitectos que nos acompanham neste passeio, e autor, entre outras obras, do livro Algarve Building: Modernism, Regionalism and Architecture in the South of Portugal, 1925-1965 (Routledge, 2016). Não são precisos passos largos para darmos com obra de Gomes da Costa e ensaiarmos os primeiros contactos com a arquitectura modernista algarvia.