A Moita é mesmo uma boa e castiça viagem

Sem ferry ou ponte que deixe Lisboa a seus pés, não são muitos os turistas que descobrem a Moita. Tranquila e genuína, não lhe faltam histórias cheias de Tejo. Há muitos passeios a fazer por aqui.

Foto: Nuno Ferreira Santos

Marco Semião aprendeu a nadar dentro de um barco acostado à margem do Gaio. “Lembro-me de os barcos estarem aqui a apodrecer, alguns ainda com o mastro posto”, recorda, enquanto vai navegando ao leme d’O Boa Viagem, o varino que a autarquia da Moita recuperou em 1980 para realizar passeios turísticos no Tejo. Ao barco 14, tinham deitado o mastro e os miúdos faziam concursos a ver “quem atravessava o mastro da proa à popa em equilíbrio”. O convés alagado “era a piscina natural”.

Outrora, o cais da Moita “era uma loucura de tráfego fluvial sempre para Lisboa”, relata Ana Paula Cruz, técnica superior de Jornalismo e Comunicação na autarquia. O crescimento da própria vila é indissociável do tráfego fluvial entre as duas margens do Tejo, ainda que agora pareça um recanto “tão desconhecido” de muitos, preterida por concelhos vizinhos, mais próximos das pontes e ferries que ligam a Lisboa.

Naquele tempo, partiam da Moita, além do transporte de pessoas, mercadorias como cortiça, pinho, sal, pipas de vinho, produtos hortícolas ou biscoitos. De Lisboa, trazia-se o lixo – então sem plásticos e outros produtos não orgânicos – para alimentar os animais e adubar a terra. Com a construção da Ponte 25 de Abril, “os barcos começaram todos a encostar às margens”, recorda Marco. Só ali junto à aldeia do Gaio, aponta, estariam “pelo menos 30 ou 40”. “Lembro-me do dia em que as máquinas do exército vieram cá e limparam isto tudo. Numa semana, desapareceram os barcos.”

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