O orgulho num passado de minas e fábricas mantém-se enraizado em Saarland. Mas a “região verde” da Alemanha quer agora ser modelo de sustentabilidade e fair trade.

Quando, no final da viagem, perguntarem ao grupo de jornalistas de diferentes nacionalidades qual foi o local de visita preferido, todos sem excepção responderão: Völklinger Hütte, a antiga siderurgia classificada como Património Mundial da UNESCO desde 1994. Mas o que faz uma fábrica de gusa, o tipo de ferro que se obtém através da fundição em altos-fornos, num programa que tem como tema a sustentabilidade e a natureza?
“Não temos apenas a cultura industrial, ou a arte [com exposições e concertos regulares em várias áreas do complexo], mas também uma relação bastante especial a começar com a natureza”, reage o director-geral de Völklinger, Ralf Beil. “No início, era poluição muito intensa, e destruição da natureza, [num espaço] onde tudo era escuro, malcheiroso, e as roupas ficavam cinzentas ao final de meio-dia. Mas hoje também temos o nosso paraíso”, diz.
A antiga coqueria, onde era produzido o coque (carvão) que alimentava os fornos da fundição, foi deixada ao abandono durante mais de 20 anos e a natureza começou a tomar conta das ruínas, dos velhos tubos e escadarias. Uma das piores zonas de trabalho na siderurgia, devido às altas temperaturas, fumo, gases, mau cheiro e poeiras, “um inferno absoluto”, transformou-se num paraíso. “Talvez seja o exemplo de um novo tipo de jardim, que já nem jardim é. É a natureza a sobrepor-se à cultura.”