No sertão alagoano, o “velho Chico” é vida

O rio São Francisco é veia líquida que alimenta esta região do sertão e âmago do turismo. Do pôr do Sol sobre os desfiladeiros do rio aos artesãos da ilha do Ferro, tudo aqui é emoção e partilha.

Foto: Thiago Sampaio

Quando alguém se comove ao olhar um rio pela primeira vez é porque a serpente larga de azul profundo que temos diante dos olhos não é um simples curso de água. É vida. O rio São Francisco, popularmente conhecido como “velho Chico”, nasce lá bem em baixo, no Estado de Minas Gerais, e percorre mais de 2800 quilómetros numa meia-lua pelo interior do Brasil até desaguar no Atlântico, separando os Estados de Alagoas e Sergipe.

Mas aqui, em pleno sertão, onde a vegetação é esparsa e a terra vermelha, onde 20ºC são sinónimo de uma noite gelada, o “velho Chico” não é só um dos cursos de água mais importantes da América do Sul, é literalmente a garantia de sobrevivência de um povo. Em pleno Outono, enquanto os outros rios que vemos ainda estão completamente secos, o São Francisco é abundância. É o único rio na região que nunca seca.

O sertão é uma “área sofrida”, lembra o guia António Lima. Não nos deixemos enganar pelo verde que a pouca chuva das últimas noites fez desabrochar. Pelo caminho, vêem-se na paisagem árida alguns arbustos e mandacarus, os cactos típicos da região, e muitos rebanhos de cabras (a buchada de bode, inspirada nos maranhos portugueses, é uma das iguarias locais). De tempos a tempos, passa uma carroça com um “jeque”. “É um sertanejo levando água a casa.” Quando “chove a sério”, “as crianças saem a correr para tomar banho de chuva” e as pessoas “põem baldes e vasilhas cá fora para recolher água”. “É uma festa.”

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