Rota das Algas: as rochas da praia são uma horta onde quase tudo é comestível

Uma alga sabe a trufa, outras são autênticos fios de esparguete ou tremoços salgados. Munidos de uma tesoura e uma caixa, chapinhamos nas poças de maré para descobrir o mundo saboroso das algas.

Retrato de Joana Duarte numa Rota das Algas, tirado pelo fotojornalista Nuno Ferreira Santos
Foto: Nuno Ferreira Santos / PÚBLICO

“Aqui temos mais algas, isto não pára de surpreender”, atira Joana Duarte a meio do passeio da Rota das Algas, projecto que lançou em Setembro do ano passado. Só em Buarcos tinha apanhado tamanha diversidade de espécies. Estamos na Ericeira, numa praia que “não é para divulgar”, pede ao grupo, dado ter “muito pouca intervenção humana” e ainda ser um segredo quase exclusivo dos locais. A manhã de vento gelado em pleno Agosto dá-lhe um ar mais selvagem, despido de alguma areia nas últimas danças do mar, o que deixou a descoberto rochas que Joana nunca tinha visto.

Para a chef e bióloga, a maré baixa é como “um pequeno portal” que se abre para nos deixar espreitar “um bocadinho do fundo marinho” – e é entre as rochas e as poças desta zona intertidal que andamos a saltitar para descobrir um verdadeiro banquete de algas. Primeira lição: praticamente todas as macroalgas, leia-se “visíveis a olho nu”, que encontramos junto à costa portuguesa são comestíveis. “Só há uma que não é recomendável, grande e vermelha.” No entanto, só se podem comer aquelas que estão agarradas às rochas ou, mais correctamente, ao substrato – todas as outras já estão mortas e em decomposição.

É precisamente o substrato e a forma como as rochas estão dispostas na praia que vão determinar “a variedade de algas” que vamos encontrar, existindo um “gradiente de distribuição” das espécies “em relação à linha da costa e do mar” que “se vai repetindo um bocadinho por todo o país”, com umas algas a dar lugar a outras à medida que “entramos para dentro de água”.

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