A reintrodução do lince-ibérico em Portugal foi um sucesso. E agora?

O lince-ibérico foi reintroduzido na natureza em Portugal há dez anos. São hoje 350 entre 2400. Com o fim do financiamento da UE e o aumento dos conflitos com a população, qual é o futuro da espécie?

Foto: Pedro Sarmento / ICNF

“Está ali qualquer coisa. Estás a ver?” Tinham-nos dito que o lince-ibérico gosta de andar em sítios altos a dominar a paisagem, “como os gatos lá em casa”, por isso, era para o horizonte que olhávamos, atentos ao contorno dos cerros à nossa frente, quando, de repente, vemos uma sombra mexer-se lá ao fundo. Um vulto difuso dá dois passos e senta-se a olhar para nós. Temos tempo de avisar o jornalista espanhol ao nosso lado, ainda descrentes daquilo que víamos, e nada mais. Por coincidência, era o único na comitiva com binóculos: “Hay un lince allí. Acaba de esconder-se. Uau, que pasada! Ia a andar tranquilamente.”

Pedro Sarmento, coordenador e responsável técnico do programa in situ para a espécie em Portugal, chama-lhe “o Serengeti português” e a Herdade das Romeiras “não está a desiludir”. Há uns anos, andava Pedro encavalitado sobre o muro da ruína à nossa frente à procura de linces quando, no silêncio, irrompeu muito próximo um rosnado. “Estava a dormir em baixo, a meio metro de mim, e não o tinha visto”, recorda. Pelo caminho, já tínhamos avistado veados, gamos, uma águia imperial, grifos, dezenas de coelhos a correr pelos campos e muitas perdizes, algumas com perdigotos minúsculos.

A verdade é que tínhamos vindo a este vale da herdade, uma propriedade com cerca de 4000 hectares no concelho de Mértola, de exploração cinegética, mas também agrícola e pecuária, precisamente porque as probabilidades de avistarmos um lince-ibérico em estado selvagem seriam maiores. Mas sendo um animal esquivo, sobretudo nocturno, e pouco adepto do calor que já se fazia sentir, o momento tem tanto de golpe de sorte, como de sintomático.

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