Hurghada é um dos principais destinos de praia e resorts tudo incluído do Egipto. Mas no coração das montanhas, um novo projecto quer celebrar o património cultural das tribos beduínas da região.

O corpo ainda se vai resignando às sacudidelas do terreno pedregoso quando a caravana de jipes faz a primeira paragem. Assim que deixamos Hurghada, com a sua sucessão de resorts tudo incluído, relvados imaculados e espreguiçadeiras até à água, é o deserto que nos abraça, e neste miradouro natural, o postal é amplo e arrebatador. Enchem-se os olhos de terra: aos nossos pés, a planície dourada alastra-se a toda a panorâmica até que o horizonte se fecha na cordilheira escarpada das Montanhas do Mar Vermelho, que acompanha toda a linha de costa nesta zona do Deserto Oriental. O vento é implacável.
À nossa frente, estão alguns dos picos mais altos do país, aponta um dos guias, mas o nosso roteiro leva-nos antes ao labirinto de vales entre as montanhas, onde vivem as tribos Maaza, povo beduíno que terá emigrado da Península Arábica há quase 300 anos.
No caminho, um grupo de dromedários surge ao nosso encontro. Saímos dos jipes e deixamo-nos cercar pelos animais dóceis e curiosos, enquanto disparam as fotografias e vídeos. Outrora, os dromedários eram o principal meio de transporte, guia essencial para farejar água no subsolo e maior fonte de receita das comunidades Maaza. Estes são da povoação que estamos prestes a visitar, revelam. Foram deixados aqui “sozinhos no deserto” para que pudessem alimentar-se da vegetação rala que desponta nesta faixa de terra árida.