A Rota do Atum conta as histórias da armação na praia do Barril, em Tavira, exemplar único da pesca do atum no Algarve. Faz 60 anos que testemunhou a última “tourada do mar”. Era “uma coisa linda”.

Chegava a meados de Março e a população de Santa Luzia mudava-se em peso para a praia do Barril. Traziam tudo: camas, mesas, arcas, galinhas. As mulheres vinham cuidar da lida da casa, da horta e dos filhos, enquanto os homens iam para a pesca do atum que, por aquela altura, começava a cruzar a costa algarvia rumo ao Mediterrâneo para desovar. Durante meio ano, a vila ficava praticamente vazia.
Aqueles primeiros dias de preparação da armação eram “o pior”, recorda José Basílio, hoje com 82 anos. Para a armação do Barril, ou “Três Irmãos”, fundada em 1841, só vinham trabalhar “os filhos dos companheiros que já cá andavam”, e Zé Laró herdou o ofício e a alcunha do pai. Tinha 16 anos quando içou para dentro de um barco o primeiro atum. “Foi até ir para a tropa; quatro anos.”
Durante aqueles dez dias no início da campanha, todos trabalhavam “do nascer ao pôr [do Sol]”. Há que imaginar dezenas de homens a retirar das casas todo o material que ali guardavam durante o Inverno: cerca de oito mil metros de redes; 87 mil metros de cabos; dezenas e dezenas de bóias de cortiça. Os “barcos gigantes” eram içados para a praia, entre calões, andainas, barcas, botes… Tudo sobre a areia, onde já tinham ficado as mais de 300 âncoras no final da campanha anterior, hoje imagem de marca e principal postal turístico do Barril, na ilha de Tavira.