Na meca turística de Cabo Verde procura-se maior equilíbrio entre turismo, ambiente e comunidades locais. Da protecção das tartarugas a uma horta no deserto, passando pela formação dos jovens.

A areia ainda colada ao contorno dos olhos não as impede de saber instintivamente para onde ir. Nasceram há poucos minutos no Viveiro de Conservação de Tartarugas Marinhas, localizado entre uns dos primeiros resorts na ilha do Sal e o oceano, e agora tentam subir freneticamente o balde que vai percorrendo o cercado onde os turistas se aglomeram para tentar ver e fotografar as minúsculas crias de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), uma espécie classificada como vulnerável e que tem na ilha o segundo local de nidificação mais importante em Cabo Verde (o primeiro é a Boavista).
Daqui a pouco serão libertadas noutra praia, a poucos metros da linha de água, para que o primeiro encontro com o mar seja “o mais natural possível”. Aí já não haverá turistas: as tartarugas recém-nascidas já “estão a recolher” informação sobre a localização enquanto descem atabalhoadamente o areal rumo ao oceano e o objectivo passa por minimizar qualquer interferência. Se sobreviverem, daqui a cerca de 25 anos, as fêmeas regressarão exactamente à mesma praia para a desova. Mas apenas cerca de uma cria sobrevive entre mil.
O Projecto Biodiversidade nasceu no Sal em 2015 para proteger os ecossistemas da ilha e as espécies de fauna e flora que dependem delas, numa abordagem integrada que trabalha, não só, em acções concretas de protecção e conservação, mas também na educação e consciencialização das comunidades locais, turistas e empresas. “A primeira pessoa que contratámos a tempo inteiro foi um educador, antes mesmo de termos um director remunerado”, recorda o fundador, Albert Taxonera.